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Dica 25: Se você é pastor, venda seus livros pra sua igreja

Sabemos que o talento literário é habilidade inata de qualquer pastor evangélico. O leitores dessa autoridade instituída por Deus, como se sabe, são os mais interessados pela arte da palavra, se comparados aos ímpios iletrados e ateus desse mundo. Mas o Cristianismo Xique sabe que muitos pastores de talento ainda não tiveram suas habilidades criativas reconhecidas pelo público e, por isso, ensinará o segredo do sucesso que muita gente alcançou. Anotem/imprimam aí.

  1. Aperfeiçoando a pena – Não é da noite para o dia que se cria um Machado de Assis evangélico. É preciso empenho, suor, inspiração e transpiração. O pastor que almeja o sucesso precisará de boas referências na sua bagagem cultural. Eis uma bibliografia básica: Rob Bell, o grande estilista; Bíblia, para citações; Mário Quintana, pra se exibir; Chesterton, para argumentar; e Paulo Brabo, para se ter inveja. Não basta apenas ler os nomes acima citados, é preciso divulgar aos quatro cantos do mundo que você tem esses autores à sua cabeceira. Tal divulgação poderá ser promovida por meio de citações descontextualizadas no Twitter ou no Facebook: crie já o seu perfil!
  2. Max Lucado, o grande mestre

    Max Lucado, o grande mestre

    Criando um blogue – A literatura do Século XXI não tem sobrevivência garantida na impressão tradicional. É preciso converter o seu talento em bits. Criar um blogue é requisito básico para que um pastor dos nossos dias estabeleça a sua arte no meio de tanta porcaria que a web prolifera. Use também as ferramentas supracitadas para tuitar os seus posts incansavelmente.

  3. A gestação do neologismo – O léxico da língua portuguesa é riquíssimo, diverso em possibilidades. Contudo, é demasiadamente limitado à expressão do saber que sai dos teclados ungidos de um ministro de Deus. Como resolver tamanha restrição expressiva imposta pela linguagem? Usando o neologismo. É preciso dignamentar a dignidade indigna do ourives que molda a palavra de Deus para a insignificante compreensão da massa humana sem revelação que leem os livros de suas autoridades espirituais.
  4. Impondo Sugerindo a leitura de seus livros – É uma ingratidão o desprezo que muitas vezes é dado à obra prima de um pastor em sua própria congregação. Mas não se desespere, há uma maneira de obrigar dar a oportunidade de apreciação literária aos membros incultos de sua igreja: incluíndo o seu livretinho nas atividades promovidas pela sua comunidade. Escola bíblica, palestra, pregação de domingo, reunião da liderança, devocional: torne a sua obra o material de apoio básico para todas estas situações. O membro que não quiser seguir a sua cartilha, rapidamente vai se perceber excluso da rotina dos demais e, com pressa, acabará adotando de bom grado a leitura de seu manual.
  5. Abastecer o estoque da lojinha da igreja com arte -  Uma maneira de divulgar e promover a boa literatura entre a sua membresia é colocando o seu material à disposição dessa gente naquela lojinha que toda igreja de médio e grande porte tem. Entretanto, não basta disponibilizar o livro, é preciso organizá-lo de modo a facilitar a sua visualização na prateleirinha. Facilite também o pagamento com uma maquinhinha da Cielo que, olha só, também poderá ser usada no recolhimento de dízimos e ofertas. Todo o material que a sua loja tem – CDs, livros de outros autores, DVDs -  é apenas acessório: o importante mesmo é que não falte a sua grande criação em todas as prateleiras do recinto mercantil eclesial.

Seguindo essas dicas, não demorará para que a Cia das Letras – ou a Mundo Cristão mesmo – acabe tomando ciência do gigantesco talento que uma mente brilhante como a sua esconde nas limitações do indigno ofício do púlbito.

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Dica 6: Teologia gringa é melhor (Parte 1)

Joyce Meyer - Eat Cookies Buy Shoes Uma das marcas de um bom cristão está no conteúdo cultural que ele consome. Você nunca deve achar um filme bom, se neste filme não houver alguma metáfora implícita da crucificação. Às vezes, é suficiente que este filme tenha na trilha sonora algum nome famoso da CCM. Vale Michael W Smith, Amy Grant ou, entre os mais modernos, Switchfoot.

Mas não se engane, o que há de melhor da indústria cultural, o mais refinado da irmandade, está na teologia dos gringos, e não é qualquer gringo: tem que ser americano. A nação estadunidense produz hoje a nata do conhecimento teológico que tanto beneficia a nossa latina nação. E para não errar nos comentários pontuais da escola dominical, aqui vai uma listinha de todos os nomes que você precisa saber pra fazer bonito nas suas colocações:

  • Max Lucado: o mais amado dos escritores cristãos americanos. Foi um grande promotor da guerra americana ao “terror” e apoiador do piedoso presidente George W. Bush nas sensatas decisões do estadista. A literatura deste ícone habita uma fronteira entre a autoajuda e a literatura cristã, sendo que a primeira ideologia predomina. Em seus livros, Lucado explora as metáforas de modo singular: um pedaço de madeira pode representar a vida eterna e um pézinho de coentro a multiforme graça.
  • Benny Hinn (exceção não-americana): pouco se sabe sobre a literatura desse Elias contemporâneo. Contudo, Bom dia Espírito Santo, obra prima, é um livro que será citado nas rodinhas de reuniões caseiras, então é bom tê-lo na ponta da língua. Além de ser muito popular, este título pode ser comprado em qualquer lugar, inclusive nos catálogos da sua revendedora Avon. Este pastor (ou entidade inrotulável) não se limita à atividades literárias, mas exploraremos suas habilidades sobrenaturais em outros comentários desse espaço futuramente.
  • Joyce Mayer: diva da teologia gringa com tudo o que lhe é particular hiperbolizado com bom gosto e brio. Meyer é hoje uma das entidades cristãs mais prolixas: os numerosos lançamentos de livro dessa senhora supera até mesmo a quantidade de posts que aparecem no Pavablog diariamente. De dona de casa frustrada e de pouca beleza, Joyce Meyer tornou-se uma espécie de Paulo Coelho gospel que habita as prateleiras das livrarias cristãs de modo onipresente. Sorte nossa, né? E aguardem: o novo livro dela já está a caminho de nossas santas livrarias da Conde de Sarzedas: Eat the cookie, buy the shoes (Coma o biscotinho, compre os sapatos) está no forno para encher nossos olhos da santa teologia Meyerana.

Continuaremos em breve esta série com grandes nomes da teologia norteamericana contemporânea pra deixar você por dentro das novas tendências evangélicas que assolam presenteiam a mente dos pastores brasileiros.

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