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Dica 6: Teologia gringa é melhor (Parte 1)

Joyce Meyer - Eat Cookies Buy Shoes Uma das marcas de um bom cristão está no conteúdo cultural que ele consome. Você nunca deve achar um filme bom, se neste filme não houver alguma metáfora implícita da crucificação. Às vezes, é suficiente que este filme tenha na trilha sonora algum nome famoso da CCM. Vale Michael W Smith, Amy Grant ou, entre os mais modernos, Switchfoot.

Mas não se engane, o que há de melhor da indústria cultural, o mais refinado da irmandade, está na teologia dos gringos, e não é qualquer gringo: tem que ser americano. A nação estadunidense produz hoje a nata do conhecimento teológico que tanto beneficia a nossa latina nação. E para não errar nos comentários pontuais da escola dominical, aqui vai uma listinha de todos os nomes que você precisa saber pra fazer bonito nas suas colocações:

  • Max Lucado: o mais amado dos escritores cristãos americanos. Foi um grande promotor da guerra americana ao “terror” e apoiador do piedoso presidente George W. Bush nas sensatas decisões do estadista. A literatura deste ícone habita uma fronteira entre a autoajuda e a literatura cristã, sendo que a primeira ideologia predomina. Em seus livros, Lucado explora as metáforas de modo singular: um pedaço de madeira pode representar a vida eterna e um pézinho de coentro a multiforme graça.
  • Benny Hinn (exceção não-americana): pouco se sabe sobre a literatura desse Elias contemporâneo. Contudo, Bom dia Espírito Santo, obra prima, é um livro que será citado nas rodinhas de reuniões caseiras, então é bom tê-lo na ponta da língua. Além de ser muito popular, este título pode ser comprado em qualquer lugar, inclusive nos catálogos da sua revendedora Avon. Este pastor (ou entidade inrotulável) não se limita à atividades literárias, mas exploraremos suas habilidades sobrenaturais em outros comentários desse espaço futuramente.
  • Joyce Mayer: diva da teologia gringa com tudo o que lhe é particular hiperbolizado com bom gosto e brio. Meyer é hoje uma das entidades cristãs mais prolixas: os numerosos lançamentos de livro dessa senhora supera até mesmo a quantidade de posts que aparecem no Pavablog diariamente. De dona de casa frustrada e de pouca beleza, Joyce Meyer tornou-se uma espécie de Paulo Coelho gospel que habita as prateleiras das livrarias cristãs de modo onipresente. Sorte nossa, né? E aguardem: o novo livro dela já está a caminho de nossas santas livrarias da Conde de Sarzedas: Eat the cookie, buy the shoes (Coma o biscotinho, compre os sapatos) está no forno para encher nossos olhos da santa teologia Meyerana.

Continuaremos em breve esta série com grandes nomes da teologia norteamericana contemporânea pra deixar você por dentro das novas tendências evangélicas que assolam presenteiam a mente dos pastores brasileiros.

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Dica 3: Comprar na Conde Sarzedas

A Rua Conde de Sarzedas é um protótipo de paraíso na Terra para todo o cristão. Se o sonho evangélico de eleger Anthony Garotinho tivesse dado em alguma coisa, poderíamos imaginar o Brasil como uma ampliação desse reduto de quinquilharia cristã.

Ir à Conde de Sarzedas envolve todo um ritual que será devidamente explicado por esse que vos escreve:

  1. Você precisa ter um conhecido que trabalha na Conde. Pode ser irmão da igreja, amigo, parente, não importa. Este será um recurso para que você barganhe aquele supercd novo do Diante do Trono ou do Renascer Praise que foi lançado na última semana
  2. Visite todas as lojas que puder, mesmo sabendo que você não vai comprar nada. Isso é um jeito de conhecer o mais novo lançamento da Bíblia comentada por algum amigo de Silas Malafaia mais sábio do mundo
  3. Compre pelo menos uma camiseta com alguma mensagem cristã, mesmo sabendo que isso não estava no seu orçamento inicial. Para não errar no culto de domingo à noite: compre alguma daquela formiga assexuada Smilinguido ou alguma que imite a farda do exército com mensagens dizendo que você guerreia por alguma causa do Reino. Nada de discrição nessa hora: quanto maior a estampa, melhor
  4. Prove as gravatinhas: as bancas de gravatas na Conde de Sarzedas são tão abundantes quanto aqueles baciões de linguiça e carne a céu aberto no Largo 13. Você deve prová-las logo no início da Rua, puxando algum assunto com o irmão da loja e comprando a mais baratinha de lembrança para o seu pastor
  5. Prepare-se para ser abordado por alguma profecia: do nada pode pular alguém de alguma loja falando em língua estranhíssimas dizendo que Deus mandou ela dizer alguma coisa pra você. É bom se hidratar porque essas abordagens proféticas costumam demorar pra terminar e, geralmente, acontecem no período da tarde, quando você estará com um monte de bugigangas em sacolas gigantescas num sol de quase 40º
  6. Se você não sabe a música do Régis Danese pedindo pra que alguém entre na casa dele, essa será a oportunidade ideal para decorar tão magnífica letra, já que essa é um trilha sonora onipresente ao longo dessa rua

Ouvindo e aplicando essas dicas você tem tudo pra se dar bem num dia superdivertido de compras na Rua Conde de Sarzedas.

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