Archive for the 'Dicas' Category

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Dica 10: Colocar um galã, Padre Fábio de Melo, a serviço da Igreja

Padre Fábio de Melo - As estações da Vida O fracasso da Igreja Católica na captação de novos fiéis já estava a ser divulgado por má línguas a serviço do demônio. Mas, eis que o Senhor surge com uma nova estratégia para calar a boca dos mensageiros do Diabo que vivem a passear em blogues da internet atrás de fofoquinhas do mundo eclesiástico.

Padre Fábio de Melo é um artista do casting da Globo que, gentilmente, dispôs seus dotes físicos para o serviço do reino de Deus nesta impura nação assolada pelos neopentecostais, protestantes, espíritas, ateus, agnósticos e suas respectivas novidades. Além de uma voz de timbre sugestivo, que faz as pernas de qualquer beata tremer de emoção espiritual, o padre Melo ainda foi presenteado com um rostinho à Gianecchini que deve fazer muita inveja ao metrossexual evangélico Marco Feliciano.

Assim como é atraente ao homem um rabo de saia, não deixa de ser interessante à beata o rabo de uma batina que bem vista um formoso sacerdote. É também melhor que as almas venham à igreja por amor que pela dor.

E não pense sua mente impura que a simpatia pelo padre Fábio se limita apenas ao público feminino católico. O representante de Deus de bíceps bem torneados tem sido muito bem recebido pelos intelectuais protestantes, gente ávida pela prosa semipoética que Melo anda a publicar por aí com a parceria de figuras importantíssimas da política como o apresentador de televisão, escritor e secretário de educação, Gabriel Chalita.

Quem pode barrar o todo poderoso nas suas estratégias para salvar sua amada instituição milenar? Se outrora usou uma desfigurada mula para falar ao seu servo, tornará o trabalho de atiçar uma multidão ainda mais fácil com um galã!

Agora mudando de assunto, olhe esse vídeo que nada tem a ver com esta postagem, é bom avisar:

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Dica 9: Manipular números

R7 suspeito de manipular números Uma técnica amplamente aperfeiçoada entre os cristãos é a manipulação de números e estatísticas. Hoje o Cristianismo Xique ensinará esta arte para que você saia do infernal vermelho e alcance o paradisíaco azul.

No caso de eventos:

Nos eventos cristãos achamos a melhor oportunidade para ‘trabalhar’ com os números de modo criativo. Se as tais sacras agremiações forem beneficentes, a arrecadação de alimentos divulgada deverá ultrapassar a quantidade do estoque da Companhia Brasileira de Distribuição, vulgarmente conhecida como “Grupo Pão de Açúcar”. Se não forem beneficentes, o destaque deverá ser dado ao numeroso grupo de cristãos que compareceu ao local. Para a digna propagação das boas velhas novas, recursos não deverão ser poupados: imagens aéreas, fotografias, depoimentos e venda de camisetas com o dizer “Eu fui na/no [substitua com o nome do evento]”.

No caso dos dízimos e ofertas:

Para fim de incentivo ao aumento das doações, uma estratégia oposta deverá ser usada para dízimos e ofertas: minimização dos números. O pastor deverá destacar a membresia de 1000 e poucas pessoas e depois mostrar a ‘insignificante’ quantia doada pelos insensíveis sócios participantes da comunidade. Use o datashow para a exibição de planilhas confusas sobre os gastos mensais, pelos quais a comunidade deverá ser culpada, e depois mostre uma simulação, com gráficos bem elaborados, sobre a previsão de arrecadação que a igreja alcançaria se os membros contribuíssem com os obrigatórios 10% mensais que é do Senhor por direito.

No caso de vendagem de discos:

É meio difícil manipular estes números, mas para tudo há uma solução. Mesmo que o setor de música gospel fature bilhões, a classe injustiçada das gravadoras deverá reclamar seus direitos alegando que a venda mensal de 400 mil cópias da Aline Barros seria superior, se os cristãos não fossem levados pelo sujo terrível e abominável pecado da pirataria, que garantirá lugar no inferno para 90% dos cristãos desonestos dessa nação que negam o salário digno a trabalhadores como Arolde de Oliveira, sua filha de voz singular, Oficina G3, Silas Malafaia e Diante do Trono.

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Dica 8: Teologia gringa é melhor (Parte 2)

Rob Bell Começamos esta série falando da velha guarda da teologia pop dos nossos irmãos norteamericanos. Tivemos o prazer de conhecer as estratégias o estilo dos consagradíssimos nomes de Joyce Meyer, Max Lucado e Benny Hinn. Mas como o Cristianismo Xique não poupa exclui ninguém – independente da raça, denominação, ou idade – falaremos hoje sobre alguns nomes mais novos que apareceram para bagunçar complementar a nossa tão lacunosa teologia latina.

  • Rob Bell: criador de uma série de curta metragens estrelados, escritos, dirigidos e vendidos por ele mesmo  chamado Nooma. O pastor além de se aventurar no terreno dos vídeos – pirateados a torto e a direito aqui no Brasil – resolveu escrever alguns livros. Podemos definir a literatura do criativo pastor como sendo do gênero WTF. Bell passeia num estilo que chove no molhado, mas que ainda assim vende como água. Ao ler uma de suas obras primas o leitor é incomodado por dois sentimentos: um deles é o “que ele quer dizer com isto?” e o outro é “desembucha logo, Rob Bell!”. O seu título mais conhecido é o Velvet Elvis, criteriosamente traduzido pela Editora Vida no Brasil como Repintando a Igreja. Com sua ilimitada criatividade este pastor resolveu também se aventurar pelo terreno do aconselhamento com seu livro de 2009: Drop Like Stars, com conselhos mais práticos (ou não) para os problemas do dia a dia.
  • Mark Driscoll: Com alguns quilos de sabedoria, jeans desbotado, bronzeamento artificial, algumas tatuagens e um modelito apertado o pastor vem conquistando o coração das moças e moços da nossa nação. Driscoll, apesar de acompanhar as últimas tendências da moda, identidade visual e decoração de igreja, não arreda um pé quando o assunto é teologia fundamentalista. Amigão de John Piper, o rapaz chega botando pra quebrar. Usa antigos métodos que vão desde criticar os companheiros que resolvem “inovar” com novas simbioses teológicas até severas críticas à títulos demoníacos da indústria de Hollywood, caso do filme Avatar, abominado pelo modernoso líder da Mars Hill. O título mais conhecido desse pastor é o livro de título intimidador Doctrine: What Christian Should Believe. Para acompanhar as novidades de Driscoll, os seus fãs admiradores podem dar uma olhada no canal dele no YouTube.

Amigos, estamos agora atualizados com tudo aquilo que os grandes astros inventaram de melhor na teologia contemporânea! E o melhor: você não precisa ler nenhum livro deles: só vá ao YouTube ou a algum blog que você já vai ter uma ideia panorâmica daquilo que estas grandes personalidades estão pregando por aí. Lembrem-se: é importante saber o mínimo para que você tenha o que conversar no culto de domingo à noite – evento máximo da cristandade moderna.

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Dica 6: Teologia gringa é melhor (Parte 1)

Joyce Meyer - Eat Cookies Buy Shoes Uma das marcas de um bom cristão está no conteúdo cultural que ele consome. Você nunca deve achar um filme bom, se neste filme não houver alguma metáfora implícita da crucificação. Às vezes, é suficiente que este filme tenha na trilha sonora algum nome famoso da CCM. Vale Michael W Smith, Amy Grant ou, entre os mais modernos, Switchfoot.

Mas não se engane, o que há de melhor da indústria cultural, o mais refinado da irmandade, está na teologia dos gringos, e não é qualquer gringo: tem que ser americano. A nação estadunidense produz hoje a nata do conhecimento teológico que tanto beneficia a nossa latina nação. E para não errar nos comentários pontuais da escola dominical, aqui vai uma listinha de todos os nomes que você precisa saber pra fazer bonito nas suas colocações:

  • Max Lucado: o mais amado dos escritores cristãos americanos. Foi um grande promotor da guerra americana ao “terror” e apoiador do piedoso presidente George W. Bush nas sensatas decisões do estadista. A literatura deste ícone habita uma fronteira entre a autoajuda e a literatura cristã, sendo que a primeira ideologia predomina. Em seus livros, Lucado explora as metáforas de modo singular: um pedaço de madeira pode representar a vida eterna e um pézinho de coentro a multiforme graça.
  • Benny Hinn (exceção não-americana): pouco se sabe sobre a literatura desse Elias contemporâneo. Contudo, Bom dia Espírito Santo, obra prima, é um livro que será citado nas rodinhas de reuniões caseiras, então é bom tê-lo na ponta da língua. Além de ser muito popular, este título pode ser comprado em qualquer lugar, inclusive nos catálogos da sua revendedora Avon. Este pastor (ou entidade inrotulável) não se limita à atividades literárias, mas exploraremos suas habilidades sobrenaturais em outros comentários desse espaço futuramente.
  • Joyce Mayer: diva da teologia gringa com tudo o que lhe é particular hiperbolizado com bom gosto e brio. Meyer é hoje uma das entidades cristãs mais prolixas: os numerosos lançamentos de livro dessa senhora supera até mesmo a quantidade de posts que aparecem no Pavablog diariamente. De dona de casa frustrada e de pouca beleza, Joyce Meyer tornou-se uma espécie de Paulo Coelho gospel que habita as prateleiras das livrarias cristãs de modo onipresente. Sorte nossa, né? E aguardem: o novo livro dela já está a caminho de nossas santas livrarias da Conde de Sarzedas: Eat the cookie, buy the shoes (Coma o biscotinho, compre os sapatos) está no forno para encher nossos olhos da santa teologia Meyerana.

Continuaremos em breve esta série com grandes nomes da teologia norteamericana contemporânea pra deixar você por dentro das novas tendências evangélicas que assolam presenteiam a mente dos pastores brasileiros.

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Dica 4: Contar testemunho

TESTEMUNHO RODOLFO A arte da oratória esteve sempre entre os cristãos como um advento que só pode ser explicado recorrendo-se a fenômenos sobrenaturais. Hoje o Cristianismo Xique irá ensinar ao querido leitor como é que se explora a arte de contar testemunho para que você ‘dê o que falar’ nos cultos de quarta-feira, já que aos domingos, devido a profusão de pastores e convidados de honra, não há tempo para que se divulgue as novas que o Senhor anda a fazer na sua vida.

O testemunho, como várias coisas nas nossas igrejas, deve seguir alguns passos que podem ser melhorados de acordo com a criatividade do executor e a disposição dos ouvintes da congregação.

O primeiro momento do relato deve se limitar exclusivamente à auto-depreciação. Dúvidas sobre como começar? Aqui vai um empurrãozinho: ‘Quando eu era do mundo…’

  1. eu fumava dez pedras de crack por minuto
  2. eu traia meu marido com 10 homens diferentes
  3. eu traia minha mulher com 10 pessoas diferentes
  4. eu bebia o dia inteiro
  5. assistia novela das 8
  6. roubava no Vale do Anhangabaú
  7. matei 10 pessoas em briga de bar
  8. suicidava todo dia
  9. tinha uma banda de rock satanista que fazia covers do Rosa de Saron

Não sei se todos notaram algo comum nas frases acima: todas elas hiperbolizam a situação. Alguns cristãos mais contidos e críticos devem estar a pensar que isso não está certo e os dados não chegam nem a fazer sentido, tachando tão bela iniciativa como ‘mentirosa’. Vá de retro, críticos! Se for para glorificar, você pode inventar.

O segundo momento narrativo deve explicar que a irmã Joanete, ou o Thiago do grupo dos jovens, te entregou um folheto e te chamou para ir no culto, marco zero de sua vida, quando TUDO mudou.

A partir de agora, instante final do enredo de sua conversão, use sua criatividade: elogie o pastor, lembre de cultos marcantes, fale de como você não trai mais seu marido/esposa, convide a igreja para entoar um cântico espiritual. Não olhe para relógio: deixe o agir fluir.

Leitores interessados devem estar a se perguntar: e se eu não tiver um bom testemunho? Não se aflija, querida/querido! Lembre da sua máquina de lavar que não funcionava num dia e que depois voltou a funcionar milagrosamente. Tenha sempre algo preparado para os cultos dos dias úteis, pois essa será a sua chance de brilhar na comunidade.

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Dica 3: Comprar na Conde Sarzedas

A Rua Conde de Sarzedas é um protótipo de paraíso na Terra para todo o cristão. Se o sonho evangélico de eleger Anthony Garotinho tivesse dado em alguma coisa, poderíamos imaginar o Brasil como uma ampliação desse reduto de quinquilharia cristã.

Ir à Conde de Sarzedas envolve todo um ritual que será devidamente explicado por esse que vos escreve:

  1. Você precisa ter um conhecido que trabalha na Conde. Pode ser irmão da igreja, amigo, parente, não importa. Este será um recurso para que você barganhe aquele supercd novo do Diante do Trono ou do Renascer Praise que foi lançado na última semana
  2. Visite todas as lojas que puder, mesmo sabendo que você não vai comprar nada. Isso é um jeito de conhecer o mais novo lançamento da Bíblia comentada por algum amigo de Silas Malafaia mais sábio do mundo
  3. Compre pelo menos uma camiseta com alguma mensagem cristã, mesmo sabendo que isso não estava no seu orçamento inicial. Para não errar no culto de domingo à noite: compre alguma daquela formiga assexuada Smilinguido ou alguma que imite a farda do exército com mensagens dizendo que você guerreia por alguma causa do Reino. Nada de discrição nessa hora: quanto maior a estampa, melhor
  4. Prove as gravatinhas: as bancas de gravatas na Conde de Sarzedas são tão abundantes quanto aqueles baciões de linguiça e carne a céu aberto no Largo 13. Você deve prová-las logo no início da Rua, puxando algum assunto com o irmão da loja e comprando a mais baratinha de lembrança para o seu pastor
  5. Prepare-se para ser abordado por alguma profecia: do nada pode pular alguém de alguma loja falando em língua estranhíssimas dizendo que Deus mandou ela dizer alguma coisa pra você. É bom se hidratar porque essas abordagens proféticas costumam demorar pra terminar e, geralmente, acontecem no período da tarde, quando você estará com um monte de bugigangas em sacolas gigantescas num sol de quase 40º
  6. Se você não sabe a música do Régis Danese pedindo pra que alguém entre na casa dele, essa será a oportunidade ideal para decorar tão magnífica letra, já que essa é um trilha sonora onipresente ao longo dessa rua

Ouvindo e aplicando essas dicas você tem tudo pra se dar bem num dia superdivertido de compras na Rua Conde de Sarzedas.

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